Projecto Chapitô

1985 - As Artes Circenses como Matriz

O Circo

O circo é a referência. Nele participam todas as artes e disciplinas criativas. É, por isso, talvez, a arte que mais goza aceitação social, em registos diferentes, por todas as classes. No circo a música festiva, o texto humorístico, o gesto, linguagem do corpo, confunde-se com a expressão teatral, dirigem-se ao imaginário e ao maravilhoso. É uma manifestação cultural plena onde se combinam os jogos do corpo e do espírito. Adapta-se a qualquer espaço, arquitectónico e urbano. É físico e conceptual.

A criação da Escola de Circo Mariano Franco, no Bairro Alto, assim denominada em homenagem ao grande Mestre de sapateado, e companheiro de cena, de Teresa Ricou deu origem à fundação do Chapitô, embrião do que é hoje a EPAOE (Escola de Artes e Ofícios do Espectáculo). A Escola de Circo Mariano Franco, resultou de um acordo com a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, que lhe cedia as instalações, no centro de dia de idosos, na rua São Boaventura ao Bairro alto, onde os animadores realizavam trabalho, também, com crianças.

1986, é constituída a Colectividade Cultural e Recreativa de Santa Catarina de reconhecido interesse cultural e social: uma organização não governamental para o desenvolvimento.

A experiência foi-se acumulando e aprofundando no contacto com as populações mais carenciadas e dos bairros periféricos de Lisboa, simultaneamente, começou a desenvolver-se um trabalho de animação junto de menores, a convite do Ministério da Justiça, que se foi instituindo e incorporando como "eixo fundador" do Projecto. A intervenção junto dos menores do ex-COAS de Lisboa, actual Centro de Reinserção da Bela Vista, foi pioneira neste campo da intervenção socioeducativa e a Colectividade foi acumulando um capital de experiência e modelagem que já ultrapassou duas décadas de relação inter-institucional.

Entre 1980 e 1986 é realizada uma “empreitada”cultural. Trata-se de recuperar o velho edifício, património do Estado, em ruínas, e transformá-lo em casa de cultura circense. Entre apoios privados e mecenas, Soares da Costa e arquitecto Taveira, deu-se início à obra.

Em 1986, ao abrigo do protocolo com a Justiça, o Chapitô instala-se definitivamente na Costa do Castelo e passa, assim, a ser nomeado e publicamente reconhecido. Depois das intensas obras de recuperação da casa, o espaço Chapitô/Costa do Castelo abre as suas portas em 1987-88, e arranca com a realização de um Curso inovador do FSE (Projecto Circo/Jovem - Curso de Expressão Circense), que ao longo de 3 anos formou um primeiro conjunto de profissionais, que vieram a constituir a primeira geração de artistas de cariz circense implantados no mercado de trabalho.

A partir de 1991, o Chapitô cria a Escola Profissional de Artes e Ofícios do Espectáculo (EPAOE) com 2 Cursos de nível equivalente ao 12º ano. A escola, fundada há 15 anos é um dos sustentáculos do Projecto.

Ao longo dos tempos a "casa-Instituição”, foi-se convertendo em "parceiro social" e integrando múltiplas "redes". Tem relações protocolares com uma variedade de entidades, oficiais e privadas, aos níveis local e nacional, bem como ao nível europeu e internacional. Estão formalmente adquiridos os vários estatutos oficiais, designadamente de «utilidade pública», de «manifesto interesse cultural», «IPSS - Instituição Particular de Solidariedade Social» e «ONG» (integrante da Plataforma Portuguesa).