Carnaval

Uma tradição no Chapitô

“É Carnaval, e estão as ruas cheias

De gente que conserva a sensação,

Tenho intenções, pensamentos, idéas,

Mas não posso ter mascara nem pão.

(…)”

[Poema “Carnaval” [66-21], Álvaro de Campos/Fernando Pessoa]

 

Carnaval… época Dionisíaca (Grécia) e de Saturnais (Roma), faz-se de Saltimbancos e Palhaços, de Pierrots e Malabaristas, de Arlequins e Acrobatas, Faunos e Zombarias, em praças, ruas, feiras e Castelos… 

Etimologicamente, segundo o latim tardio, Carnaval («currisvalerium») significa “adeus à carne”, quarenta e sete dias antes da Páscoa, normalmente, próxima da Lua Nova, numa dialéctica e luta bem representadas na pintura “A luta entre o Carnaval e a Quaresma” (1559) de Bruegel (1525-1569); ou, antes, o «currus navalis», expressão anterior ao Cristianismo, significando «carro naval», por referência aos carros alegóricos que, em forma de barcos, quer na Grécia quer em Roma, celebravam e anunciavam a Primavera e com ela o Novo Ano.

É, pois, tempo de regeneração, de se rufarem os tambores, de ‘homens cuspindo fogo’, de trapezistas e barcos de papel, de largarmos o «velho» e de nos (re)vestirmos, de forma Pagã, de novos fatos e máscaras que guardamos, contraditoriamente, no resto do ano, no baú e fronteiras dos nossos interiores e distâncias trágico-cómicas em que nos representamos quotidianamente e que, nestes tempos de folia, surgem, epifanicamente, na transgressão dos limites do próprio Humano que nos habita, quais Cais feitos Gente!

Época de «forças combinadas» de Luz e Côr, corpo a corpo, numa ludicidade humorística de transparências translúcidas entre Castelões e Castelãs, em que a nossa Arte e Culturas «chapitoneanas» se jogam em simbiose com o Mundo que nos rodeia e no qual (com)Vivemos diariamente.

É Carnaval!! O Chapitô desfilará neste caleidoscópio de personagens, música e clownerie, celebrando e ajudando a celebrar a comicidade desta nossa existência, de um Cronos para lá do Tempo, feito Aiôn nesta presença festiva de um outro Tempo «que tem sempre Tempo por não ter pressa», pensando, rindo e agindo, artística e culturalmente, em comunidade com o Outro, que também habita a «Tenda» (chapiteau) em que nos movemos, inclusiva e multiculturalmente, mesmo nesta transgressão característica desta época. 

Junta-te a nós, chapitoneanamente!

Luís Filipe B. Teixeira