Editorial

SOB O SIGNO DE ESCORPIÃO

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A caminho do final do ano 2018. Novembro, mês que anuncia a entrada no signo de Escorpião, regido por Plutão, ex-nono planeta do sistema solar que perdeu esse estatuto, passando à categoria de planeta-anão. Complicado, um signo que “perdeu” o seu planeta!...

Sem querer, e mesmo não crendo, há toda uma simbologia que nos inspira: o Sol, a Terra, os Astros influenciam as nossas vidas! Isto é factual – como lemos o mundo, o que interiorizamos, como pensamos, está impregnado dessa Força Vital.

Novembro, sob a égide do Escorpião, pode assustar ou espantar: ao escorpião, cortam-lhe o rabo, e ele reconstitui-se; cortam-lhe a cabeça e o bicho continua a andar. Escorpião é um símbolo quente do horóscopo, a sua cor é o vermelho e o seu carácter é assim: claro, directo, dominador, surpreendente. Ele não vive de aparências, é muito realista, rigoroso, exigente na concretização das suas apostas, portanto às vezes incomoda! Só que quando tudo acontece e se concretiza as vozes à volta aplaudem!...

O ano lectivo de 2018 começou em Outubro com toda a alegria de nos sentirmos juntos para mais uma viagem comum. Da minha parte prometo continuar a proporcionar, de uma forma autêntica, e com toda a qualidade de execução, a totalidade e o quotidiano do projecto, com todos os recursos, incluindo o recurso aos astros. Eu gosto do rigor e do planeamento, mas também gosto da improvisação, do emergente, dos diálogos ocasionais, às vezes inesperados, mas que me dão a medida do pulsar de uma Casa e me estimulam a criar sempre novas respostas, porque a vida não pára! Não quero nunca perder essa oportunidade de estar junta de todos estes jovens e crianças que aqui se constroem melhores pessoas, do público em geral que nos visita – esse alimento, essa espécie de “contrabando da alegria”, é fundamental para mim!... Com cuidado, para não derrapar, cair pelas escadas abaixo e despedaçar- me toda.

Tudo isto é um enigma e não deixa de ser uma bem-aventurança plena. Pergunto-me muitas vezes qual o meu direito a ser feliz? Fomos criados para ser felizes, mas é preciso “experimentar” a felicidade para não morrermos náufragos e sedentos no deserto da nossa solidão.

Eu procuro incessantemente a felicidade e, enquanto viajo na minha busca, aconselho-vos a cultivarem a vida como positividade da nossa existência.

Quanto a mim, “escorpiónica” assumida, digo, inspirando-me no poema “Tabacaria” de Álvaro de Campos:

"Fiz de mim o que não soube,
e o que podia fazer de mim não o fiz.
O Figurino que vesti não estava à medida,
está mesmo a rebentar pelas costuras!
Quando quis tirar a máscara,
estava pegada à cara.
Quando a consegui tirar, olhei-me ao espelho:
- “como tinha envelhecido…”
Saturada, olhei e não conseguia tirar
o tal Figurino que não estava à medida."

Não desistindo, ficarei à espera da próxima “revoada”. Talvez ainda apareça um Figurino que me sirva a felicidade, a mim própria, como “persona andante” por outros mundos, tal como “asas do desejo”.

… E assim o Inverno vai chegando, depois de um Outono quente.

Um Bem-Haja a todos.



Teresa Ricou






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