Editorial

O CIRCO é uma forma de dialogar COM O MUNDO

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1.

O Circo é um mundo fecundo de narrativas e um excelente instrumento para contar histórias.

Assim fomos aprendendo e compreendendo ao longo da Vida – a história da humanidade, as artes do espectáculo, e o Circo em particular, fizeram parte integrante das festividades nas cortes medievais, fazendo as interfaces possíveis entre a nobreza e o povo. O Circo quase que foi percebido como espaço-tempo mágico, com artistas semi-deuses, plenos de virtuosidade, que desafiavam as leis da gravidade num processo marcado pelo looping e pelo espanto.

É neste pressuposto e neste encadeamento que o Chapitô recebe o testemunho enquanto Casa do Circo e acrescenta mais essa viagem – A 29 de Junho de 2018, num cenário magnífico frente ao Tejo, no Lisbon Cruise Terminal, dezenas de jovens artistas da Escola de Circo do Chapitô, cada um portador de uma ou mais técnicas de circo, constroem um espectáculo dramaturgicamente poderoso sobre o Mar.

O Tejo é o rio que, sempre, a todos acolheu – uns chegam, outros partem, mas todos carregam as suas vidas, as suas culturas, as suas graças e as suas desgraças, todos queremos afinal (R)Mar para um bom porto, um porto seguro, um palco onde possamos encontrar outros humanos que nos acolhem em fecunda reciprocidade, cruzando culturas, educações, visões, cooperando na construção de uma sociedade mais equilibrada e mais justa.

Este Exercício-Espectáculo do 2º ano da Escola do Chapitô conta com a direcção artística de Gerald Oliveira e Nuno Figueiredo (Figa). Ali, num espaço novo mas já icónico, frente a Santa Apolónia, onde o Tejo inicia o diálogo com o Mar, tudo se perfila, no plano simbólico e no plano material, para a recepção de públicos que se cruzam – os que em Lisboa habitam e os que Lisboa procuram. É Lisboa e Portugal como porto seguro! Bem-vindos sejam todos.

Os jovens alunos do Chapitô, futuros artistas circenses, constroem-se na dinâmica dos encontros múltiplos que o Circo proporciona, esmeram-se no rigor dos movimentos ensaiados até ao domínio dos corpos, crescem na sequência estudada de cada intervenção, inspirada no movimento das ondas e na certeza das marés, mas também na imprevisibilidade da arte, no espanto que acompanha a superação, no aplauso que nos eleva a todos para outra dimensão do encontro humano.

(R)Mar é título a invocar Resistência. Reunião. Reinventar. Recuar. Reciclar. Reutilizar.

O trabalho essencial do Chapitô é esta possibilidade de recuperar histórias, momentos, e assim transformar os percursos vividos em oportunidades para todos os que escolhem o Circo como forma de comunicar, como Arte que nos faz avançar no tempo, em liberdade, convocando cada um para a essência plena do que pode vir a ser.

2.

Junho é igualmente o final de um ano lectivo. Os Cursos Fim de Tarde têm os seus momentos de socialização, de glória e de grandes aplausos:
- Expressão Dramática, orientado pelo lendário Bruno Schiappa, dias 20-21- 22 de Junho;
- Atelier Circo e de Teatro para Crianças orientadao pela Vanda Rodrigues e pela Joana Strunk, dia 25 de Junho;
- Técnicas Circenses orientadas por Miguel Tirapicos, também ex-aluno Chapitô, dia 27 de Junho;
- Capoeira, orientada pelo companheiro de longa data Mário Correia, dia 30 de Maio, e este ano com uma participação internacional.

Nesta Casa de Cultura, apesar dos imprevistos, o Bartô mantém uma programação convincente, com o Tércio nas artes da música e o Jaime acolhendo todo o público na convidativa sala.

A programação da noite, coordenada pelo Paulo César e assessorada pela Tatiana, integra ainda a colaboração da luz e som, audiovisuais, design e comunicação. Nesta avalanche positiva de actividades, uma referência ao excelente trabalho nos Centros Educativos (Caxias, Navarro de Paiva e Bela Vista), sem truques mas com muita magia, tudo sempre dentro de uma mala para poder ir a muitos e variados espaços, uma equipa virtuosa coordenada pela Filipa Baptista.

A Trupe Sénior, com Alexandra Espiridião ao leme, segue a sua viagem com toda a criatividade.

A Produção geral da Casa, coordenada pela Manuela Morais, para além de uma intervenção sistemática e mais localizada na Região da Grande Lisboa, estende a sua actividade para Porto Santo e Algarve.

E assim estamos quase a fechar um ciclo intensivo de ano lectivo, para logo nos prepararmos para nova abertura em Setembro/Outubro. Esta grande viagem só é possível com o apoio de uma grande equipa Chapitô – Administração, Gestão, Serviços Gerais, Acção Social – a todos um Muito Obrigada pelo prazer de ver a Obra ir-se quase concluindo. Todos a (R)Mar para o mesmo porto!


Teresa Ricou






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