Editorial

ESTÁ NA HORA DE PARTIRMOS??!!...

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A saudade, um vazio, uma angústia, a paixão, a amizade… miscelânea de sentimentos que se atropelam!

O tempo está a fugir: somos grandes, fizemos obra!

Remámos contra as marés insidiosas e os maus ventos, aproveitámos as maresias e os ventos de feição. Sofremos muito para conseguir não desistir, para fazer avançar e para realizar os nossos sonhos.

Tantos somos, nesta terra que é Portugal (e que vagueia preguiçosamente pelos caminhos da Europa) mas poucos são os que valorizam os cidadãos que, empenhada e quase freneticamente, fazem da criatividade o seu propósito de vida, contribuindo para que a cidade seja muito mais do que as boas vistas sobre o Tejo e se assuma como espaços de cultura contemporânea, feitos de persistência, resistência, afectuosidade e muita qualidade.

Foi com o Manuel Reis que consegui ultrapassar as mil e uma dificuldades que o país põe nos caminhos da criação artística – era pela madrugada que contigo, Manuel, pensávamos e congeminávamos a arquitectura dos mundos do espectáculo, convocando espaços de encontro e de diálogo, mais ou menos intelectuais, conforme as vozes e os públicos que habitavam as madrugadas. Inquietava-nos como e onde podiam as Artes estar ao serviço de um povo e de um país a brotar na liberdade de Abril.

Cruzámo-nos, noutro tempo, na TAP – tu, Manuel, em terra, e eu a voar (como hospedeira). Também aí as nossas mentes irrequietas se encontravam a agitar os “arrondissements”…

Lá pelos anos 80, em plena organização de um novo patamar das artes, e como pretexto para grandes tertúlias, eu criei na Rua da Rosa o restaurante “O Sorriso” – entre servir, sapatear e cantar (com o Michel no acordéon, o grande Travadinha de Cabo Verde, o Carlos Paredes, o António Variações, entre outros – e tu fazias nascer o Frágil para nos acolher pela madrugada, uma vizinhança de luxo no Bairro Alto.

Manuel, foi um tempo que nunca mais voltará!... é também um obrigado pelo teu apoio, carinho, disponibilidade, cumplicidade. Tu foste a Festa que Lisboa hoje é – e eu estou muito orgulhosa de ter pertencido a esse elenco!

Pensarei sempre em ti como exemplo de discrição, na penumbra, construindo o Projecto (hoje Lux, na Bica do Sapato) sem querer ser “instituição”, antes o nosso “porto de abrigo”.

Conseguiste, Manuel – és um herói de cada Madrugada a anunciar a renovação do mundo.

Bem Hajas. Fica em Paz.

Tua Amiga

Tété






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