Editorial

Mar, um poder que vem da Arte!

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Todos os dias nos apercebemos das mudanças climatéricas ao sentirmos e olharmos a natureza à nossa volta. Vemos algo acontecer, vemos que algo se está a transformar – as árvores, o calor do sol, o vento, a chuva - parece que tudo o que é inerente à Terra tem a marca de algum desacerto.

Na ordem do dia está o pensamento ECO, invocando as palavras sábias atribuídas ao Chefe Índio Seattle (1786-1866): “A Terra não pertence ao homem, é o homem que pertence à Terra (…) Tudo o que agride a Terra, agride os filhos da Terra”.

Torna-se urgente comunicar os valores da sustentabilidade, alertando toda a comunidade para a defesa da biodiversidade, para o combate às alterações climáticas, consequências directas e indirectas do consumismo desenfreado, do vandalismo predatório em que assenta a relação do homem com a natureza, destruindo florestas, espécies animais, rios, mares … As alterações climáticas são a ponta do iceberg do nosso desconcerto enquanto humanidade!

Mar é mais um contributo da Escola do Chapitô para cultivar uma consciência ambiental - o passado tem vindo a ser devassado, resta-nos semear o Futuro. Estamos no Século XXI – este novo século – o do desenvolvimento tecnológico e científico, o século da consagração dos Direitos Humanos, o século da afirmação de uma consciência social solidária e inclusiva, o tempo em que a Ecologia se impõe como matriz de leitura e de acção no mundo.

Temos vindo a combater a fome no mundo, conseguimos grandes avanços na área da saúde, melhorámos imenso os níveis de literacia dos povos. Quantas vidas se transformaram nestes últimos anos nos mais diversos espaços do planeta Terra?!...

Mas ao mesmo tempo confunde-nos ainda a visão de um mundo em total convulsão, a ausência de entendimento na cena política mundial, a falta de conhecimento dos cidadãos sobre a gravidade dos actos que todos cometemos - a ignorância, a impunidade, a corrupção, a ganância, estão instaladas e isso deveria servir de alerta para a ameaça de radicalismos e alienações que emergem nestes contextos.No Chapitô sabemos o poder transformador do espectáculo – nessa tensão virtuosa e livremente aceite entre público, criação e artistas, emerge uma vastíssima rede de possibilidades, desponta um potencial de consciências despertas e desabrocha uma energia colectiva de transformação.

Este é o poder de Mar, um poder que vem da Arte, o sortilégio do Circo – porque o único e verdadeiro Poder é o que faz avançar o mundo. Acreditar nas ideias justas e na premissa de que é preciso mudar, para cada dia ser um dia com mais bem-estar para cada Ser e para todo o Planeta. Este é o poder da nossa criação artística, com o Circo a puxar pelo virtuosismo de cada um.

Por outro lado temos uma juventude atenta e cheia de boas energias, uma geração mais diferenciada, mais qualificada, com mais proximidade multicultural, jovens que dominam todas as tecnologias e que atravessam o mundo num lapso de tempo, ligados pelas redes sociais, com amigos em todos as geografias - esta gente nova está mais capaz de enfrentar as ainda anomalias sociais que afligem os mais vulneráveis.

É também para esta arquitectura do pensar e do agir que nos convocam as diferentes PAP’s – as nossas Provas de Aptidão Profissional, último acto curricular desta viagem de 3 anos na Escola de Circo do Chapitô - podemos viver mais tempo de qualidade e com estilos de vida mais saudáveis, mais amigos uns dos outros e mais fraternos com a Terra, limpando o Planeta e livrando-o do lixo.

E assim o ano lectivo começa a chegar ao fim.

A Pausa merecida e o repouso do guerreiro.

Boas Férias!... finalmente a preguiça invade o seu lugar, alimentando o espirito e o pensamento, la dolce vita…

(Não se esqueçam de levar o Laptop!…)


Teresa Ricou






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