Editorial

O Mundo é um Palco!

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Dizia Isabelle Huppert – actriz francesa – que “o Teatro é o outro, é o diálogo, é a ausência de ódio”.

O Mundo é um Palco, onde os humanos representam a realidade. Quanto mais insistirmos nesta forma de representar, que quase nos leva a pensar ser esta a única forma de estar no mundo, só esta verdade prevalece, correndo até o risco de confundir representação com a realidade. É urgente um exercício de pensamento que nos leve a descobrir alternativas várias, afastando- -nos assim de uma história longínqua sem a considerar uma excepção, mas sim um grande momento histórico.

Restam-nos alguns pacotes de resistência que é urgente salvaguardar – as artes, a cultura, a educação, a saúde, a justiça, entre outros. A grande apreensão em Portugal, e neste início de século XXI, é como a cultura não está no discurso e na preocupação política, ela continua adiada, sem apoios, e muitas vezes “sem eira nem beira”, capaz de acolher uma Geração XXI com alguma arrogância, com qualidade, mas sobretudo à procura do seu espaço no mundo (global), na sociedade.

Não faltam elos que unam as artes do espectáculo à educação, à inclusão social, à justiça, aos mundos do mundo. A casa do Chapitô é o lugar por excelência para nos juntarmos, porque a diversidade de espaços e de visões assim o permitem, uma onda onde todos somos levados a ter o prazer de estarmos juntos. Hoje, 27 de Março, 2018 – estar com Fernando Gomes e Helena Laureano é o sonho de uma missão cumprida, lugar ao teatro, lugar aos amigos numa casa de cultura para todos.

Que Portugal não se esqueça que somos filhos dessa Madrugada que nos uniu a todos na solidariedade da Festa, que são as artes e a cultura. Caso contrário mandaremos prender Portugal! Pode ser um susto que nos faça despertar para a urgência das artes, que correm também o risco de extinção.

“O Teatro protege-nos, abriga-nos… eu acho que eles nos ama… tanto quanto nós o amamos!” (Isabelle Huppert).


Teresa Ricou




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