Agenda Abril 2019

Editorial

Abril, esperanças mil!...

Foi em Abril, a 25 de 1974 que, nessa madrugada, Grândola foi cantada por Zeca Afonso, ao alerta de “E Depois do Adeus” de Paulo de Carvalho, no Rádio Clube. 

Em rapidez relâmpago (ou não fosse um golpe de estado!…), aconteceu a Revolução de Abril – um grupo de jovens capitães põe final a uma ditadura de quatro décadas, dando espaço imediato à
implantação da DEMOCRACIA.

Assim emergiu a esperança de fazer nascer um País novo e aberto a uma transformação económica, política, na educação, saúde, habitação, cultura: Sérgio Godinho cantou-o, o Povo fez acontecer e, em Paz, sem sangue, e convocando mais justiça social que todos mereciam, como valor (inalienável e inadiável) de Liberdade.


Portugal abre assim as suas portas ao mundo. Como cidadã activista, tive oportunidade de viver e participar nesta conquista, correndo o País
de Norte a Sul, acompanhando os militares e Associações de Abril, como contributo na educação/alfabetização (junto de populações isoladas dos
grandes centros), como Artista de Circo, consciente da importância das artes ao serviço do desenvolvimento do País.


45 anos passaram
, momentos muito densos e inquietantes (“Chegamos? Não chegamos? Pelo sonho é que vamos…” dizia-nos Sebastião da Gama).
Fomos, chegamos, cá estamos!… A fazer acontecer uma sinfonia de liberdade, em paz e tranquilidade, pois que sem Cultura não haverá sinfonia: música – circo – teatro – ofícios – artes do espectáculo, o verdadeiro elixir para o bem-estar e a qualidade de vida de um Povo.  

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No dia 27 de Março de 2019, como Casa de Cultura, comemorámos mais um dia (destes 45 anos de liberdade) das artes da representação – o Teatro, um País, o maior território do mundo, ele abraça todas as artes do mundo do espectáculo e é com ele e por ele que o mundo será o ponto de convergência da inclusão social. 

O Circo é um dos grandes parceiros do Teatro, altos voos, excelentes acrobatas, malabaristas, aéreos, contorcionistas, toda uma magia carregada de dramaturgia. O maior espectáculo do mundo – o Circo – estará sempre lado a lado com o Teatro e todas as artes, ao serviço de uma sociedade mais justa e equitativa.

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A vida não pára e o dia-a-dia desafia-nos com uma latência emanente, num paradoxo, focalizada cada vez mais na tessitura complexa entre a memória, a história e as premissas de Abril

Este projecto sempre em construção, não só de ponto de vista artístico, mas também intelectual, cívico e de justiça social, partilha a emoção e o corpo-a-corpo com todos aqueles que, ao longo destes 45 anos, participaram na edificação da obra Chapitô que a tantos acolheu.

Teresa Ricou

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